sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Coisas de Quintana


"O que os olhos não veem o coração também sente. Pois há coisas que só conseguimos ver de olhos fechados. Coisas que podem estar muito perto: dentro de nós mesmos. Ou, então, longe demais: em mundos recém-descobertos pelo viajante Quintana."

As falsas recordações

Se a gente pudesse escolher a infância que teria vivido, com que enternecimento eu não recordaria agora aquele velho tio de perna de pau, que nunca existiu na família, e aquele arroio que nunca passou aos fundos do quintal, e onde íamos pescar e sestear nas tardes de verão, sob o zumbido inquietante dos besouros...

(Mário Quintana)

*E é sempre assim quando leio um autor novo: me encanto com a capacidade de expressão, e é constante a identificação com seus textos. Adorei alguns poemas de Quintana, 'As falsas recordações', para mim, é de longe o mais expressivo, mas há muitos mais. Adorei o jeito como ele retratou um modo como queria que tivesse sido sua infância, porque por mais que tenhamos tido uma bela infância, sempre há algo que queríamos que fosse diferente e às vezes até recordamos coisas que não aconteceram pois queríamos que tivessem acontecido. É como sonhar, e recordar sempre aquele sonho infantil.*

Nenhum comentário: