domingo, 31 de janeiro de 2010


"Piotr não tinha mais acessos de desespero, de hipocondria, de desgosto pela vida, mas não deixava de se perguntar com angústia, várias vezes ao dia: 'Por quê? Para quê?'. E, sabendo que não havia resposta a essas questões existenciais, distraía o pensamento com a leitura ou os amigos.
'Helena, que é uma perfeita tola, aparece aos olhos das pessoas como um prodígio de inteligência. Enquanto era um grande homem, Napoleão foi desprezado por todos; agora que se tornou um pateta, o imperador Francisco lhe ofereceu a filha como amante. Meus irmãos maçons juram sobre o próprio sangue que estão prontos a qualquer sacrifício pelo próximo, mas não contribuem com um rublo sequer na coleta para os pobres. Todos nós, cristãos, adotamos a lei do amor ao próximo, e ontem um soldado que desertou foi chicoteado até a morte.'
A cada vez que fazia um balanço da vida, a hipocrisia geral, aceita por todos, o surpreendia como se fosse uma coisa nova. Para ele, o mal e a mentira contaminavam todo tipo de atividade. E no entanto era preciso viver, era preciso estar ocupado."

*Trecho de "Guerra e paz" de Liev Tolstói

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