domingo, 9 de maio de 2010

Outono

Uma palavra: cansaço. E mais um dia termina. A caminhada foi de uma breve retórica em minha mente. Enquanto via aqueles rostos indo e vindo, ia distribuindo palavras, pensava comigo. Talvez elas saíssem pelos meus ouvidos ou simplesmente no meu ato de expirar. Naquele momento só havia um corpo andando a passos curtos, minha mente estava longe, aliás, nem sei bem onde estava. Pensei em tudo. Olhava pro chão e para frente, só via o que meu campo de visão reto me mostrava. Tinha vontade de não estar mais aqui. Ir lá para cima e dar um abraço em quem estava a minha espera. Dizer-lhes que queria ter ido em seus lugares, que ainda tinham muito a viver aqui... Meu ar era triste, distante. Muitas vezes me vi ali, sentada, sorrindo com alguém de olhar carinhoso ao meu lado. Pensei nas muitas cenas que queria ter vivido, e se um dia ia vivê-las... Dizem que eu falo demais, mas naquele instante eu não falava aos outros, falava para dentro de mim, e me afogava em minhas palavras, tão tristes, angustiantes. Minhas pernas estavam cansadas, mas não me importei muito com isso, apenas continuei a andar. Neste trajeto ela me acompanhava; não disse nada, o que era estranho. Pouco antes de chegar ao ponto de partida, fez algum comentário. Apenas assenti-lhe com a cabeça. Era minha mãe. E aí me veio um breve pensamento. Aquela era a única pessoa com quem estive desde sempre, e com quem desejo estar para sempre(ela merece que eu seja feliz, pois, assim, ela o será também). E naquele momento ela estava ali, calada, nem imaginava o que se passava na minha cabeça, respeitou meu silêncio. Ou apenas estava cansada demais para falar...Meus olhos, de novo, pesavam e eu pensava em como minha felicidade estava em minhas mãos, essa é a única coisa de que eu sou dona inteiramente. Se conseguirei? Eu tenho que conseguir! Me aflijo com isso, pois nesse momento minha cabeça está tomada por uma confusão de pensamentos e sentimentos. Não sei o que fazer para estar feliz. Eu preciso de paz. E eu ainda tenho minha fé. Talvez amanhã. Sim. Talvez amanhã eu sorria. Talvez não caminhe com tantos pensamentos rondando minha cabeça, enfernizando meu coração. Talvez amanhã o sol me traga boas perspectivas. Eu sei que estarei bem. Amanhã o sol nasce outra vez. Deus o trará para mim.

                  Larissa-17/09/08

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