quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Inverno

Guerra Santa

Ele diz que tem, que tem como abrir o portão do céu 
ele promete a salvação
ele chuta a imagem da santa, fica louco-pinel
mas não rasga dinheiro, não

Ele diz que faz, que faz tudo isso em nome de Deus
como um Papa na inquisição
nem se lembra do horror da noite de São Bartolomeu
não, não lembra de nada não

Não lembra de nada, é louco
mas não rasga dinheiro
promete a mansão no paraíso
contanto, que você pague primeiro
que você primeiro pague dinheiro
dê sua doação, e entre no céu
levado pelo bom ladrão

Ele pensa que faz do amor sua profissão de fé
só que faz da fé profissão
aliás em matéria de vender paz, amor e axé
ele não está sozinho não

Eu até compreendo os salvadores profissionais
sua feira de ilusões
só que o bom barraqueiro que quer vender seu peixe em paz
deixa o outro vender limões

Um vende limões, o outro 
vende o peixe que quer
o nome de Deus pode ser Oxalá
Jeová, Tupã, Jesus, Maomé
Maomé, Jesus, Tupã, Jeová
Oxalá e tantos mais
sons diferentes, sim, para sonhos iguais



                       




                                       Respeito à diversidade religiosa
     
   A canção faz uma crítica irreverente e verdadeira sobre a falta de respeito entre algumas religiões.

   Composição do cantor Gilberto Gil, "Guerra santa"(1995) expõe numa crítica suave e, ao mesmo tempo, impactante, o preconceito com as opções religiosas e seus dogmas.
   Na primeira estrofe, ele faz  uma análise negativa das religiões protestantes, as quais, muitas vezes, se sentem melhores do que as outras; quando canta: "Ele chuta a imagem da santa(...) Mas não rasga dinheiro, não". Mostrando, desse modo, a contradição dessas ao condenar o culto às imagens, mas cultuar o dinheiro. Além disso, ao longo da música, cita episódios históricos, como a Inquisição. E, ainda, usa um ótimo trocadilho(o fiel entrará no céu levado pelo do bom ladrão), para dizer que os cristãos não católicos prometem um lugar no paraíso, mas antes é preciso pagar.
   Seu pensamento é muito válido, pois, ao atrelar um assunto polêmico à melodia, deu-nos uma animada composição, que nos traz uma diferente visão do tema; como quando ele fala que muitos fazem da fé profissão, ou ao encerrar a penúltima estrofe com os seguintes versos, usando uma metáfora: "(...)o bom barraqueiro que quer vender seu peixe em paz, deixa o outro vender limões."
   Assim, Gil nos traz a ideia de que Deus pode ter vários nomes, que a fé pode ser expressa de várias formas, e isso deve, portanto, ser respeitado. Pois, é como se poder ouvir no último verso da canção: "Sons diferentes, sim, para sonhos iguais."


Larissa

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