domingo, 5 de dezembro de 2010

Primavera

                                Não amarás o próximo, só a ti mesmo


  
   Quando se pensa em amor, vem à mente os romances da ficção, aqueles com finais felizes. Mas, a maioria sabe que o idealismo romântico, retomado com as telenovelas, não é real. Pois, o mundo contemporâneo é egoísta, característica que diverge das definições de tal sentimento.
   Diante do exagero do consumo e da busca constante pela satisfação pessoal, se percebe, nesta sociedade, a dificuldade de tantos em viver relações estáveis, seja com um companheiro, ou pessoas de outros laços afetivos. Isso é percebido através da banalização do casamento e, por conseguinte, a falência da instituição familiar; fatos que levam ao descrédito em relação à sobrevivência da amabilidade.
   A maneira como os indivíduos vivem não nos permite acreditar num futuro promissor para o amor, já que ele é generoso e requer entrega de ambos. Essa descrença ocorre ao perceber-se que a paixão se tornou mais importante, todos querem viver intensamente, mas só conseguem ir até onde lhes convêm, pois nas primeiras divergências não se aceitam.
   Desse modo, por mais complicado que seja mudar as perspectivas para essa maioria, não se pode esquecer dos tantos que ainda defendem e divulgam o ato de amar. E, para não deixar os romances na recordação de um passado remoto, deve haver a consciência de se formar uma memória amorosa hoje, para que o primeiro dos mandamentos não seja distorcido.


Larissa

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Primavera

   Nunca pensei que o encontraria. Daquele jeito, como cantou Chico Buarque em "A bela e a fera". Mas eu encontrei, estava debaixo do meu nariz. 
  Que loucura tudo isso! Que inveja senti daquela "vida", presente em seus poemas, e como daria tudo tudo para que fossem meus! Agora não há tempo, e não o há em todos os seus sentidos, o tempo passou, e o seu tempo não era meu também. 
   Nunca me surpreendi tanto com alguém, e nunca quis desesperadamente um dia a mais, uma conversa a mais, como agora. Que tristeza dizer que já passou a minha chance, que é melhor pensar outras coisas, as quais são realmente palpáveis. Fiz o que pude, mas não dependia de mim, esperneei como uma criança ao lhe ser negado um brinquedo muito desejado, bati o pé que não poderia deixar escapar, mas como não deixar? Não há mesmo o que fazer, e, sinceramente, não foi minha culpa, menos ainda dele. 
   A lembrança do que poderia ter sido entra para a listas das infindáveis "como seria?" ou "porque não aconteceu?", que enchem de nostalgia as minhas lembranças. Bons eram os tempos em que me perturbavam as rodinhas da bicicleta ou os cabelos das bonecas... eu sei,  não há mais bonecas, ou há, mas elas não significam mais a mesma coisa. Hoje, os contos de fada são uma fuga dessa realidade constante e avassaladora, a magia está dentro e permeia universos evasivos do meu inconsciente. Espero que dentro desses universos se insiram novos poetas, desta vez, verdadeiramente.

Larissa