sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Primavera

   Nunca pensei que o encontraria. Daquele jeito, como cantou Chico Buarque em "A bela e a fera". Mas eu encontrei, estava debaixo do meu nariz. 
  Que loucura tudo isso! Que inveja senti daquela "vida", presente em seus poemas, e como daria tudo tudo para que fossem meus! Agora não há tempo, e não o há em todos os seus sentidos, o tempo passou, e o seu tempo não era meu também. 
   Nunca me surpreendi tanto com alguém, e nunca quis desesperadamente um dia a mais, uma conversa a mais, como agora. Que tristeza dizer que já passou a minha chance, que é melhor pensar outras coisas, as quais são realmente palpáveis. Fiz o que pude, mas não dependia de mim, esperneei como uma criança ao lhe ser negado um brinquedo muito desejado, bati o pé que não poderia deixar escapar, mas como não deixar? Não há mesmo o que fazer, e, sinceramente, não foi minha culpa, menos ainda dele. 
   A lembrança do que poderia ter sido entra para a listas das infindáveis "como seria?" ou "porque não aconteceu?", que enchem de nostalgia as minhas lembranças. Bons eram os tempos em que me perturbavam as rodinhas da bicicleta ou os cabelos das bonecas... eu sei,  não há mais bonecas, ou há, mas elas não significam mais a mesma coisa. Hoje, os contos de fada são uma fuga dessa realidade constante e avassaladora, a magia está dentro e permeia universos evasivos do meu inconsciente. Espero que dentro desses universos se insiram novos poetas, desta vez, verdadeiramente.

Larissa

Nenhum comentário: