terça-feira, 15 de março de 2011

Fins de Verão

É, realmente, não há tempo! Se houvesse, porque estaria eu nesse tempo, nesse século, se na verdade me sinto totalmente fora dessa época... Eu não sei se sou do passado ou do futuro, mas como não conheço o futuro, o passado me convida. Talvez eu fosse do tempo das ideologias escancaradas, das lutas por ideais, daquela era em que eu teria com quem compartilhar esses devaneios da consciência... Talvez, hoje, eu estivesse sendo lembrada ou estudada... Olho para trás e vejo como seria estar no tempo em que loucos viviam pouco, mas intensamente, e viviam! Como seria, eu, lutando pela liberdade no Brasil de 70 ou me aliando àqueles comunistas de 30? Nunca vou saber como seria; afinal, eu estou aqui imaginando aquela vida que  teria.
Mesmo com tudo isso, me recordo agora de ter ouvido que nunca devemos vangloriar o passado, por nada de melhor que ele tenha. Na verdade, isso foi mais uma técnica para escrever com coerência... Mas não escrevo porque alguém quer ou como querem, escrever pra mim é isso: é o que eu quero, o que me vem à mente no momento. E não me importo com as cacofonias, os pleonasmos, os ecos, eu estou bem assim. Quero escrever para mim, para o bem, para falar com o coração, pouco importa o que uma suposta pessoa(que acho eu é imaginária!) vai pensar sobre o que escrevo, que 'nota' dará ao meu texto, mesmo que isso valha o meu futuro. E, voltando ao passado, acho que eu seria muito útil e, talvez, admirada pelas minhas características: como escrevo, o que penso , como falo... Sinto que estaria mais à vontade, mas eu estou aqui, escrevendo sobre o passado e sobre como eu QUERO escrever, estou aqui para provar que não há tempo, que os tempos se entrelaçam, que eu os entrelacei.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Verão

Sinto saudade daquele verão que não foi perdido, da tarde que ficou no sonho, das nuvens se mexendo num céu que nunca existiu...
Sinto saudade de um certo namorado que dizia eu, estava a caminho, e de uma mariposa colorida que vi nos delírios febris...
Sinto saudade do tempo que perdi procurando um sonho que não encontrei, das horas que passei lamuriando a vida que não aflorava, dos castelos de areia sempre projetados...
Sinto saudade daquela atriz que cantava, da artista que brilhava, da estrela que crescia, daquela escritora que viria...
Mas do que eu sinto saudade mesmo, é de um certo serrão, e de como aquilo era imenso para uma pequenina sonhadora, de um certo alguém que se foi, de uma certa turma de animadas viagens diárias, dos natais mágicos, das tão esperadas páscoas, das quadrilhas, de todas as lembranças... de tudo isso, a saudade maior é da vida, da minha vida!